Como o contato pessoal irá mudar no pós-Covid19?

Seremos menos sensíveis e muito mais cautelosos, mas a transição parecerá estranha.

Em uma semana normal, é difícil contar quantas vezes entramos em contato físico com outros seres humanos. Para muitos que estão se isolando sozinhos, esse pode ser o período mais longo de suas vidas sem o toque humano pele a pele.

O extremo distanciamento que estamos vendo agora é, seria de esperar, uma mudança impermanente. Porém, à medida que mais países começam a suspender suas medidas de isolamento, somos confrontados com o problema de como voltar à realidade.

Como interagimos um com o outro de uma maneira que nos mantenha seguros, mas não ofenda?

Por meses, praticamos o distanciamento social, mantendo-nos a pelo menos dois metros um do outro, evitando tocar em superfícies comuns e sufocando tosses e espirros.

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Foi difícil anular a experiência de uma vida de normas sociais aprendidas que demonstram polidez ou afeto: em muitas culturas, apertamos as mãos quando cumprimentamos novas pessoas, abraçamos aqueles de quem gostamos ou oferecemos uma mão, literalmente, para aqueles que precisam.


Agora, estamos nos preparando para sair ao mundo mais uma vez, todos esses hábitos arraigados podem ter que parar. O beijo duplo amado pelos franceses poderia ser um vetor de transmissão; o abraço caloroso dos italianos cumprimentando potencialmente perigoso demais.

O comportamento “sensível ao toque” em geral pode deixar de ser aceitável e, com ele, tudo o que aprendemos sobre um mundo normalmente cheio de contato físico pode mudar.

Para aqueles preocupados com a falta de contato físico que nos privam de algo humano inato, Dunbar tem algumas palavras de esperança.

“O toque não é o único mecanismo usado para a ligação física”, diz ele.

A evolução de nossos progenitores primatas nos deu novas maneiras de sentir uma conexão com outras pessoas que também desencadeiam endorfinas.

“São coisas como rir, cantar, dançar, contar histórias, rituais religiosos e assim por diante”, diz ele, “as coisas que usamos em nossas interações sociais cotidianas”.

Portanto, embora possamos permanecer cautelosos quanto ao contato físico por algum tempo, permanecer fisicamente distante não significa que não podemos nos sentir próximos.

Traduzido e adaptado por equipe Saibamais.

Fonte: BBC Future.

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