Os desafios de mulheres na indústria musical

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Uma das principais pautas discutidas no século XXI é a conscientização da desigualdade de gênero e seus malefícios na sociedade como um todo. Apesar de termos evoluído, é notável que ainda existam diversos resquícios que necessitam ser mudados. 

Em 2018 uma nova discussão sobre desigualdade no cenário musical ganhou as mídias sociais quando o festival Coachella, um dos mais populares nos Estados Unidos e mundo, teve apenas Beyoncé entre os headliners. Além disso, foi só em 2017 que uma mulher teve papel de destaque no line-up do Coachella, com Lady Gaga sendo uma das headliners do famigerado festival.

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Ano passado o portal Pitchfork realizou um estudo em que revela a baixa escalação das mulheres para serem headliners dos eventos. Segundo a pesquisa, no ano de 2018, menos de um terço das atrações dos 20 festivais avaliados havia participação feminina. Mas será que há falta de interesse no universo feminino de compor, cantar, produzir e se envolver com música? O que causa tal ausência? Vamos conversar um pouco sobre isso!

Por séculos a mulher foi vista pela sociedade como o sexo frágil, inferior e feita para procriar. Nesse período os homens dominaram áreas de relevância na sociedade, incluindo a indústria fonográfica e o meio artístico de forma geral. Hoje, os homens ainda são maioria nas posições de poder, ocupando mais espaços em gravadoras, estúdios, jornalistas e críticos que decidem os nomes em evidência.

Muitas mulheres que já estão no meio não conseguem espaço. Outras, muitas vezes, sentem-se desmotivadas a seguirem uma carreira na qual terão que, literalmente, lutar por um lugar e ainda defender sua integridade física e emocional.

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Machismo no dia a dia

O grande desafio para as mulheres é que, apenas o seu talento e competência muitas vezes não são suficientes para ocuparem uma posição de poder. O desafio se torna ainda mais difícil, quando além de provarem suas habilidades, necessitam estar inseridas em um padrão socialmente aceito, principalmente quando falamos do cenário musical.

As pressões externas são a raiz de diversos outros problemas, como dietas malucas, transtornos alimentares e a excessiva autocobrança, tudo isso para se encaixarem em um padrão ideal e aceitável para ser uma artista de sucesso. E não para por aí, quando finalmente o sucesso é alcançado, as pressões aumentam ainda mais, isso porque as cobranças partem de todos os lados, tanto por parte das produtoras, quanto dos fãs. As redes sociais se tornaram o maior tribunal de julgamentos e isso piora ainda mais quando nos referimos ao público feminino. 

Basta conversar com alguma artista de sucesso que não faltarão relatos de assédios e limitações que foram enfrentadas para que fosse possível alcançar o auge da carreira. Por isso, é muito importante falar sobre esse assunto e trazer uma reflexão acerca do que acontece por trás dos bastidores da indústria musical. É necessário haver posicionamento e críticas em relação aos métodos de avaliação que são utilizados, além disso, denúncias de atitudes abusivas, pois, expor esse tipo de caso, ajuda a dar uma maior visibilidade para a temática. 

Objetificação do corpo feminino

Basta uma olhada rápida entre as mulheres no cenário musical e é notório a objetificação do corpo da mulher. A exposição do corpo como objeto de consumo é algo que, infelizmente vemos constantemente. Esse fator ocorre porque, culturalmente, os homens exercem posições de poder, e na indústria musical não é diferente, logo, os conteúdos produzidos acabaram se tornando algo que fosse agradável ao público masculino. 

Um exemplo disso é a necessidade de roupas extremamente justas, curtas e grandes decotes, será que esse tipo de vestimenta é algo que as mulheres gostam, ou é algo comercial? Esse tipo de questionamento é muito importante para levantar um debate sobre a maneira com que a imagem da mulher foi construída socialmente. 

Se espera que a mulher esteja sempre bonita, maquiada, com um corpo esbelto e seja sempre educada. Instagrams de fofoca expõem mulheres artistas quando saem na rua sem maquiagem ou exibem um corpo fora dos padrões de revista. Escandalos de assédio envolvendo grandes produtores são facilmente encontrados na internet, basta uma olhada rápida. 

Um caso em destaque foi a da cantora Kesha, que em 2017 acusou o produtor Lukasz “Dr Luke” Gottwald de abuso emocional e físico por 10 anos. Ela relatou ter sido forçada a consumir drogas e bebidas alcoólicas antes dos abusos acontecerem, além, de ter desenvolvido distúrbios alimentares por conta da pressão para ter um corpo perfeito e ouvir constantemente frases como: Você não é tão bonita quanto pensa, nem tão talentosa, você tem sorte em me ter. Infelizmente esse tipo de acontecimento é comumente visto nos bastidores da indústria musical. 

Como enfrentar 

Criadora do “Ouça Música Independente”, Thabata Arruda, publicou uma pesquisa mostrando os números de mulheres nos line-ups de eventos brasileiros entre 2016 e 2018.

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Foto: (reprodução/internet)

Você pode ler o artigo na íntegra clicando aqui.

Em festivais internacionais o crescimento de mulheres foi de 4% de 2017 até 2018. os espetáculos norte-americanos FYF, Pitchfork, e Panorama alcançaram 50% de participação de homens e de mulheres. Por outro lado, Firefly, Bottlerock, and Bunbury, também dos Estados Unidos, sequer alcançaram a faixa de 20% de participação feminina. 

Entretanto, o que se pode fazer na indústria da música para que seja mais justa com as mulheres? As ativistas têm várias ideias. Uma delas, é promover cotas em todas as instâncias. O ideal seria dividir estipular 50% do lineup para mulheres, mas para começar, 30% é aceitável.

Você também pode apoiar mulheres no cenário musical ao consumir suas músicas, compartilhar e lutar pelas causas delas. Conversar sobre o assunto e incentivar mulheres também é uma forma de apoiar a causa.

Para inspirar as mulheres

Negra, pobre e sem apoio da família, em meados dos anos 60, Nina Simone se tornou a primeira pianista clássica negra nos Estados Unidos. Dentro da indústria da música sofreu violência doméstica e racismo. No palco, saudava a liberdade que almejava conquistar em todos os espaços. E é pra sempre um exemplo de revolucionária no mundo da música 

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Foto: (reprodução/internet)
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