Entenda por que os alimentos estão mais caros

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A disparada dos preços de alimentos básicos como arroz, leite e óleo de soja, ocorreram justamente no período de pandemia – e há previsão de que muitos estão por vir. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esses três alimentos já acumulam cerca de 20% do aumento desse ano. 

O Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA) subiu cerca de 2,44% em um ano, e a inflação dos alimentos 8,83% no mesmo período. Nos últimos dias, o óleo de soja aumentou cerca de 14,18% e teve máxima de 31,85%, o arroz chegou a 19,25%, custando 40 reais o quilo!

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Segundo a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, o aumento do preço dos alimentos é pontual e que não irá faltar arroz nos supermercados brasileiros. Isso porque a alta da inflação é algo “comum”, ano passado ocorreu com a carne. Para entender por que os alimentos estão mais caros esse ano, continue lendo o artigo. 

Entenda por que os alimentos estão mais caros
Foto: reprodução/internet 

Entenda a atual crise brasileira 

Apesar de ser um dos maiores produtores de carnes e grãos do mundo, o Brasil está sendo fortemente atingido pela demanda no exterior. É válido destacar que o país foi único grande produtor agropecuário que não teve problemas de abastecimento no mercado internacional. 

Além do aumento do arroz e do óleo de soja, o país também está registrando aumento no preço do tomate (12,98%), leite longa vida (22,99%), carnes (3,33%), morango (31,99%) e feijão-preto (28,9%). Logo não é apenas um alimento que foi responsável pela atual crise. 

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Entretanto, alguns alimentos que ficaram mais baratos, como é caso da cebola (-17,18%), batata-inglesa (-12,40%) e alho (-14,16%).  

Veja os motivos da alta no preço dos alimentos 

Uma das principais questões apontadas como causa do aumento alarmante do preço dos alimentos é o comportamento do dólar. Visto que as negociações dos alimentos são feitas em dólar, a variação na moeda americana influencia diretamente no preço final. Isso porque atualmente ele avançou cerca de 5% (31% ao ano). 

Com a desvalorização da moeda brasileira no exterior e a alta do dólar, os preços ficam muito altos para os consumidores. A explicação é que o produto no mercado internacional fica mais barato e os produtores vêem mais vantagem em exportar justamente pelo aumento do dólar. 

Além disso, o preço baixo dos alimentos nos últimos anos também é apontado como uma das causas, uma vez que levou ao encolhimento da produção. Entre os outros fatores do aumento no preço dos alimentos estão:

  • Entressafra de produtos: a atual diminuição da área plantada no país é um dos motivos do aumento no preço dos produtos. Entre as safras de 2011/2012 até a  de 2019/2020, houve uma queda de mais 30%. A próxima safra deverá ser colhida no início de 2021 (expectativa de aumento de 12,1% nas áreas plantadas;
  • Injeção de R$ 50 bilhões por mês para o pagamento do auxílio emergencial: o benefício ofertado pelo Governo Federal estimulou o aumento do consumo da cesta básica. Cerca de 60 milhões de brasileiros foram beneficiados com o valor de R$ 600,00 e essa transferência de renda conseguiu fez com que a linha da pobreza extrema caísse de 6,5% para 2,5%.

Mesmo com a diminuição do auxílio emergencial para metade do valor inicial (R$ 300,00), a fonte de renda da população brasileira mais pobre ainda irá afetar a economia. Isso porque a busca nos supermercados por alimentos básicos continuará aumentando e os agricultores poderiam valorizar os produtos que antes não eram.

Saiba qual é a resposta do Governo

Como forma de lidar com a situação e não tabelar os preços dos produtos, o Ministério da Agricultura anunciou que irá zerar a taxa de importação de alimentos (antes era de 12% para o arroz, 8% para milho e soja), para países de fora do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai, dentro do bloco a tarifa é 0).

A medida tem como objetivo reduzir o custo do grão importado para aumentar a oferta e consequentemente, diminuir o preço para o mercado interno. Além disso, essa redução valerá até o dia 31 de dezembro deste ano e está restrita a cerca de 400 mil toneladas de arroz – o produto mais procurado.

Além disso, a expectativa do Governo em relação a economia é que:

  • Ocorra um crescimento de 3,50% no PIB (Produto Interno Bruto);
  • O dólar fique R$ 5,30 até o final de 2020 e no início do próximo ano se estabilize em R$ 5,00;
  • O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) encerre o ano de 2020 entre 8,5% e 9%, que representa um avanço de 2,5% em relação ao índice projetado.
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